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Quinta, 06 Agosto 2026 14:39

Futurismo, inovação e novos modelos de gestão para o transporte fecham o SEST SENAT Summit 2026

Tecnologia, inovação e desenvolvimento de pessoas estiveram no centro das discussões do segundo dia do SEST SENAT Summit 2026. Liderança, inteligência artificial, experiência dos passageiros, logística e soluções inovadoras para o transporte pautaram os debates que marcaram o encerramento do evento, realizado nos dias 4 e 5 de agosto, em São Paulo, consolidando o Summit como espaço de troca de conhecimento e apresentação de tendências com potencial de gerar impactos concretos no setor. 

O CEO da DVx Ventures e ex-presidente da Tesla, Jon McNeill, apresentou o conceito de algoritmo do hipercrescimento na palestra “O algoritmo: A fórmula do hipercrescimento que vai revolucionar o Transporte no Brasil”. Ele apresentou uma metodologia baseada em questionar processos estabelecidos, eliminar etapas desnecessárias e simplificar operações antes de investir em tecnologia. 

Para ilustrar o conceito, ele compartilhou a experiência da Tesla, empresa na qual colaborou para redesenhar a jornada de compra dos veículos ao reduzir a complexidade de produtos e processos. 

Segundo o executivo, o crescimento acelerado da empresa veio da capacidade de desafiar suposições consideradas intocáveis e repensar toda a experiência do cliente. Ele resumiu sua fórmula em cinco etapas: questionar todas as suposições, eliminar atividades desnecessárias, simplificar e otimizar processos, acelerar os ciclos de execução e deixar a automação por último.

McNeill também destacou o papel da liderança na transformação dos negócios e defendeu que empresas do transporte precisam se preparar para mudanças tão profundas quanto as que os smartphones provocaram na telefonia móvel. Para ele, líderes devem concentrar esforços nos desafios que podem ameaçar o futuro da organização, dar autonomia às equipes para inovar e enxergar toda a jornada do cliente, não apenas o produto ou serviço oferecido.

“Inovação não pode ficar concentrada apenas na liderança. As pessoas precisam ter autonomia e ferramentas para tomar decisões. Quanto mais gente tiver esse poder, maior será a capacidade de transformação da organização”, disse.

Já o futurista Tiago Mattos, primeiro brasileiro a integrar o corpo docente da Singularity University, mostrou como a liderança precisa deixar de apenas reagir às mudanças e passar a construir os futuros que deseja alcançar. Na palestra “Liderança futurista: Como antecipar futuros além-do-provável”, o especialista defendeu que as organizações devem desenvolver a capacidade de imaginar cenários inéditos e agir antes que eles se tornem realidade, em vez de se apoiarem apenas nas experiências do passado.

Ao longo da apresentação, Mattos destacou que a inovação depende mais da cultura organizacional do que de recursos financeiros. Para o especialista, muitas empresas deixam de inovar porque não criam um ambiente que permita experimentar novas ideias. Ele expôs o conceito de “futuro além-do-provável”, defendendo que líderes devem olhar para possibilidades que extrapolam as tendências mais evidentes.

Ao abordar o avanço da inteligência artificial, Mattos afirmou que o diferencial das lideranças estará na capacidade de fortalecer competências essencialmente humanas e transformar organizações diante das mudanças. 

“O papel da liderança é transformar a realidade. Se eu não transformo, eu não sou liderança”, sintetizou. 

Workshops

Preparar uma empresa para o futuro deixou de ser um exercício de previsão e passou a ser uma competência estratégica. Em um cenário marcado pela convergência entre inteligência artificial, plataformas digitais, automação, mudanças demográficas e novas exigências ambientais, as organizações precisam ampliar seu horizonte de planejamento e desenvolver a capacidade de antecipar diferentes cenários para tomar decisões mais consistentes no presente.

Esses foram os apontamentos do workshop “Foresight estratégico e alfabetização em futuros”, conduzido por Chico Araújo, diretor executivo do Instituto IAV e global expert da Singularity University, e Mario Rosa, especialista em foresight estratégico e cofundador do The Long Game. 

Os especialistas apresentaram ferramentas para ajudar empresas a incorporar a visão de longo prazo ao processo de tomada de decisão. Por meio de uma simulação em que os participantes assumiram o papel de conselheiros de uma empresa de logística em 2040, os facilitadores do workshop demonstraram de que maneira tendências como ferramentas tecnológicas digitais já começam a redesenhar o setor. Eles também destacaram a importância de monitorar megatendências e sinais de mudança para que as organizações deixem de apenas reagir às transformações e passem a construir estratégias mais preparadas para diferentes cenários futuros.

Já no workshop “O caminho para uma transportadora AI-First”, o embaixador e líder de Enterprise GTM da Lovable, Alexandre Messina, mostrou como a inteligência artificial pode ser o alicerce de uma empresa verdadeiramente AI-First, integrando produtividade, tomada de decisão e automação em todas as áreas do negócio. Ele apresentou um modelo de maturidade em cinco níveis, que vai do uso individual da IA para tarefas específicas até sistemas capazes de sugerir e executar decisões de forma autônoma, aprendendo continuamente com os resultados. Segundo ele, o percurso para essa transformação começa pelo mapeamento dos processos da empresa e pela construção de um plano estruturado para ampliar a presença da IA nas operações.

O especialista também destacou o potencial do vibe coding, uma abordagem que permite criar softwares e plataformas por meio de linguagem natural, sem necessidade de programação tradicional. A tecnologia possibilita desenvolver soluções sob medida para desafios específicos das empresas, reduzindo custos e acelerando processos. Além da operação, a IA pode ser aplicada em marketing, produção de conteúdo, SEO, publicidade e atendimento ao cliente. Para Messina, o diferencial está em conectar as ferramentas de inteligência artificial aos sistemas já utilizados no dia a dia, transformando dados e informações em ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade.

Painéis 

A transformação digital no transporte de passageiros começa muito antes do embarque. Ela passa por toda a jornada do cliente, desde a compra da passagem até o acompanhamento da viagem, e exige que as empresas simplifiquem processos, integrem tecnologias e utilizem dados para oferecer uma experiência mais ágil, segura e personalizada. Esse foi o ponto central do painel “Do bilhete ao aplicativo: Repensando a experiência de mobilidade dos passageiros”, que reuniu Tatiana Chaves, da MobiBrasil, Carlos Andrade, do Grupo Comporte, e João Carlos Vieira, da Viação Grajaú, com mediação da diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart.

Na abertura do debate, Nicole Goulart destacou que eficiência, segurança, conforto e digitalização já figuram entre os principais fatores para atrair e fidelizar passageiros do transporte coletivo. “A transformação do setor passa por colocar o cliente no centro das operações”, destacou a diretora do SEST SENAT.

Durante o painel, Tatiana Chaves apresentou as iniciativas da MobiBrasil para digitalizar a compra de passagens e facilitar o acesso dos passageiros ao transporte coletivo, destacando que a tecnologia só gera valor quando melhora a experiência do usuário. Na sequência, Carlos Andrade mostrou a evolução da plataforma Mobilfácil, do Grupo Comporte, que permite realizar toda a jornada do passageiro de forma digital, incorporando inteligência artificial para personalizar o atendimento. 

João Carlos Vieira, por sua vez, demonstrou como a transformação digital também fortalece a gestão interna das empresas ao apresentar o sistema de reconhecimento facial implantado pela Viação Grajaú para o controle da jornada dos motoristas. Segundo ele, a solução aumentou a eficiência operacional e aprimorou a gestão da frota.

O segundo painel, “Desafios e oportunidades no transporte de cargas & logística”, apontou a consolidação da transformação digital como um dos principais caminhos para aumentar a eficiência do transporte de cargas no Brasil.

Mediado pelo diretor adjunto nacional do SEST SENAT, Vinicius Ladeira, o debate reuniu o diretor de Sustentabilidade da DHL, João Meneghetti; a diretora de Operações do Grupo Protege, Luciana Novaes; e o gerente de Gestão da Patrus Transportes, Marcelo Vaz. Eles compartilharam experiências de transformação em suas operações, mostrando que a inovação vem impulsionando uma logística mais eficiente e sustentável. 

Meneghetti compartilhou os avanços de sua jornada de eletrificação de frota, enquanto Vaz mostrou como a roteirização inteligente contribui para reduzir custos e emissões. Luciana Novaes explicou que a transformação logística baseada na centralização das operações ajudou a Protege a reduzir horas extras, ampliar a transparência para os clientes e melhorar a qualidade de vida dos colaboradores.

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