Barcaças e estaleiros parados, portos fechados, mais de 2.000 empregados demitidos e falta de perspectiva.
O cenário atinge a hidrovia Tietê-Paraná em São Paulo há um ano, com prejuízo de R$ 700 milhões e crescente, já que não será possível navegar antes de novembro.
Devido à seca que atingiu parte do país, o transporte de cargas de longo curso pela hidrovia foi paralisado totalmente em 29 de maio de 2014.
O ponto mais crítico, com cerca de dez quilômetros, fica em Buritama e impede a navegação comercial de cargas de soja, açúcar e milho, entre outros, até o porto de Santos.
O trecho da hidrovia no Estado tem condições de transportar 6 milhões de toneladas/ano, mas, em 2014, não atingiu 1 milhão, segundo o sindicato.
"Todos demitiram. Nós demitimos mais de mil", disse Nelson Michielin, dono da DNP Indústria e Navegação.
A empresa tem 12 comboios que transportam 6.000 toneladas de grãos, o equivalente a cerca de cem caminhões grandes.
O custo do transporte de uma tonelada de grãos via hidrovia é estimado em R$ 40, ou 25% do valor pago no sistema rodoviário.
O rio está "seco", segundo os sindicatos dos Armadores de Navegação Fluvial e dos Trabalhadores em Transportes Fluviais, porque a União prioriza o uso da água pelas hidrelétricas de Três Irmãos e Ilha Solteira.
O enchimento de Três Irmãos e Ilha Solteira para permitir a navegação geraria problemas em reservatórios das bacias dos rios Grande e Paranaíba, o que comprometeria usinas e o fornecimento de energia, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Marinheiros e eletricistas foram demitidos, e a única solução agora é política, diz Edson Palmesan, presidente do Sindicato dos Armadores. Um grupo de prefeitos, empresários e entidades vai a Brasília nesta semana.
Uma dificuldade relatada por empresários e sindicatos é que o problema envolve muitos órgãos, como ministérios dos Transportes e de Minas e Energia, DH (Departamento Hidroviário) e ANA (Agência Nacional de Águas).
O Ministério de Minas e Energia informou que a água dos reservatórios tem usos múltiplos -abastecimento, navegação e geração de energia, entre outros- e que toda decisão foi legitimada em reuniões coordenadas pela ANA, com órgãos como Ministério dos Transportes, ONS, Aneel, Cesp e DH.
Segundo a pasta, todos os setores que dependem de água foram afetados pela seca, inclusive o elétrico, que tem usado termelétricas.
Já a ANA informou que não obteve êxito para conciliar os interesses dos setores e restabelecer as condições de navegabilidade na hidrovia. O Ministério dos Transportes não comentou.
Extraído de: Udop
Segunda, 25 Mai 2015 09:09
Seca em SP impede transporte mais barato de soja e milho
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