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Sexta, 05 Setembro 2025 09:55

Missão França: empresas inovadoras não nascem prontas, elas se reinventam

O maior risco para empresas líderes é acreditar que o sucesso de hoje garante o de amanhã. A reflexão foi apresentada por Felipe Monteiro, do INSEAD, aos participantes da Missão Internacional do Transporte – França 2025, promovida pelo Sistema Transporte. Especialista em estratégia e inovação, Monteiro destacou que organizações de setores tradicionais precisam abrir-se a parcerias externas, aprender com os erros e reforçar sua identidade ao inovar.

“Pensem no dia de hoje como um convite para o futuro.” Segundo ele, a acomodação é a armadilha mais comum de empresas consolidadas. A verdadeira transformação, disse, deve começar na cultura organizacional, e não no organograma. Monteiro citou o exemplo da Enel, que criou programas como o My Big Mistake, no qual executivos compartilham erros para estimular a experimentação. “Ou você muda as pessoas, ou troca as pessoas. Inovação exige abertura para errar e aprender”, provocou.

O conceito de inovação aberta também esteve no centro da exposição. Monteiro lembrou que empresas como a farmacêutica Merck e a P&G transformaram seus processos ao integrarem ideias externas. “Se você não tiver o talento dentro de casa, precisará buscá-lo. Entretanto isso exige traduzir a solução externa para a linguagem do negócio interno”, afirmou, ressaltando que a inovação aberta não substitui a capacidade interna, mas a complementa.

Diante de empresários e lideranças do setor de transporte, o professor reforçou que a inovação precisa ser constante e sempre em sintonia com o DNA de cada organização. A fala ressoou entre os participantes. “Aqui está reunido quase todo o conhecimento sobre transporte do país. Entendi que não vamos reinventar caminhões. Temos que buscar o melhor da nossa cultura e associá-la a outras boas culturas para aprimorar nosso trabalho”, confirmou Edmilso Brancaglione, diretor de operações da Expresso São Miguel.

O caso TAG Heuer: tradição que se renova

Monteiro apresentou o exemplo da TAG Heuer, marca suíça de relógios de luxo que, em 2015, lançou seu primeiro smartwatch em parceria com a Google e a Intel. A decisão, segundo o professor, ilustra como um setor centenário pode buscar, fora de casa, a tecnologia que não domina sem abrir mão do que sabe fazer melhor.

“O novo não substituiu o velho. Ele reforçou quem a TAG Heuer já era: uma marca de design, tradição e luxo”, explicou.

Missão Internacional do Transporte – França 2025

A Missão Internacional do Transporte – França 2025 acontece de 28 de agosto a 7 de setembro, em Fontainebleau, em parceria com a INSEAD, uma das escolas de negócios mais renomadas do mundo. A delegação, formada por 47 participantes – entre empresários, parlamentares e representantes do Sistema Transporte –, tem a oportunidade de viver uma imersão estratégica que combina formação executiva, visitas técnicas, intercâmbio cultural e networking internacional.

Promovida pelo Sistema Transporte, a iniciativa tem como propósito ampliar a visão de futuro do setor, desenvolver competências de liderança e estimular práticas de gestão mais inovadoras e eficientes, conectando os participantes a tendências globais que moldam o transporte e a mobilidade.

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